28 de setembro de 2011

Ulisses Borges

Vermelho

olhavas apenas.
que de olhar-te entendeste a noite.


de repente invento
um jeito fatal de te olhar
como quem não quer nada querendo tudo
só para ver se venta
pode ser também
que eu te arranque os olhos grandes da cara
e os coloque no lugar dos meus
para que com eles eu te olhe sob o teu olhar
numa noite morna como essa
abafada e sem razão
quem disse que era preciso?
se desde sempre entre nós
não houve lógica
que o que sentimos não era divisão
entre braços intrusos
mãos que escorregam sempre bobas
à procura de um canto pelo corpo
olhamos
porque ainda são vermelhos os olhares
e o desejo: boca que tu pintas só para veres manchar o cigarro.
*

Maxilar

apraz-me ainda mais
o gosto por trás do beijo
como o osso por trás da carne
cerne âmago maxilar que firma o desejo.

*

quem dera
se eu me teletransportar pudesse
no meio dessa tarde fria
para que aqueles olhos me vissem, concreto,
além da fotografia.

*

tu:
meu canto
esquina do corpo
ali onde os olhos viram.

(http://www.ulisses-borges.blogspot.com/)

4 comentários:

  1. "Extremamente absorvido de presenças significativas, no peito, na emoção"


    Muito bom teu post, estou seguindo...

    Um abraço,
    Rafah
    http://eternizadoempalavras.blogspot.com/

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  2. Adoro esses textos assim... intensos!
    Adorei por aqui tb... e obrigada pela visita!!!
    Beijo

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  3. Gostei do teu estilo, tem força, tem expressividade. Voltarei mais vezes. Abraços!

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